Não muito raro surge a tão famosa questão do aluno ao professor: “O senhor também trabalha ou só dá aula?”
Todos rimos. Como se lecionar não fosse trabalhar.
A ideia que está por trás deste questionamento é que intriga. O aluno tem ideia do que é ser professor?
Alguns sugerem que para lecionar é preciso ter vivência profissional, o que de certa forma não está errado, em especial para os docentes de universidades, que têm a função de formar profissionais para o mercado de trabalho
A experiência sem dúvida ajuda muito nos exemplos que podem ser dados em sala de aula, fazendo o aluno refletir sobre os problemas enfrentados e sugerindo soluções plausíveis, inclusive enriquecendo a aula e por que não o nosso próprio conhecimento?
Lecionar, porém, é uma tarefa que exige não apenas o conhecimento técnico, mas uma série de características peculiares ao professor e que em geral é despercebida pelo aluno.
Uma das características principais é a Gestão Integrada de Processos e Recursos, que se refere ao planejamento da disciplina a ser ministrada e à otimização dos recursos alocados ao desenvolvimento do aprendizado.
O trabalho do professor se inicia com o planejamento do calendário, distribuição de aulas teóricas e práticas, período de provas, inclusive as substitutivas, negociação com empresas e entidades para visitação, pesquisas de mercado e o desenvolvimento de métodos e práticas pedagógicas para cada aula.
Outra característica não menos importante que o domínio técnico é a visão sistêmica, a capacidade que o professor precisa para perceber a integração e a interdependência das partes que compõem o todo.
O docente é dotado de inteligências múltiplas como exemplo a inteligência linguística, corporal, lógica, interpessoal e também a inteligência emocional.
Lidar com sabedoria e ética às constantes ponderações dos alunos é um exercício que exige perspicácia na tomada de decisão. Comprometimento é uma competência básica para o profissional da educação. O objetivo principal vai além da sala de aula, pois o futuro do aluno depende também do professor. Sua formação determinará a motivação para o desenvolvimento intrapessoal e profissional.
Em resposta à famosa questão que soa no âmbito acadêmico: se dar aula é tão somente o compromisso assumido de formar capacidade intelectual com o uso de tantas competências específicas, focando na cultura da qualidade e na construção do conhecimento, superando as expectativas de criatividade e inovação, o professor certamente não tem tempo para trabalhar.
Texto do professor Boro enviado ao Jornal Virtual. Contato: www.boro.com.br
sábado, 7 de agosto de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
A UTILIZAÇÃO DO BLOG NA EDUCAÇÃO
A informática educativa possibilita muitos caminhos para que o professor realize suas aulas de uma forma interessante, diante do mundo tecnológico em que vivemos. Dominar técnicas de informática, para assim aplicá-las á educação é um dos grandes desafios de hoje, para os profissionais da educação.
Muitos recursos são utilizados para que se obtenha êxito na aprendizagem, e um em especial que iremos tratar neste artigo oferece muitas possibilidades de desenvolvimento das potencialidades humanas : o Blog.
Qualquer recurso conta com limitações, mas aqui colocaremos algumas das vantagens e possibilidades do uso do blog nas escolas como alternativa de aprendizagem.
BLOGS
Os blogs são páginas na internet (Web), que utilizam os protocolos de transmissão de dados e contam com um servidor para armazenar as informações que apresenta e que precisam ser atualizados com freqüência.Historicamente, surgiram no final de 2001, no site Blogger.com.
Apresenta-se com uma linha de tempo para as postagens , abarcando uma infinidade de assuntos que vão desde diários , piadas, links, notícias, poesias, artigos, idéias, fotografias e tudo mais que seja possível para sua atualização.Quando “no ar” , isto é, postado na web, qualquer pessoa pode acessá-lo.
Sendo uma excelente forma de comunicação, permite que grupos e pessoas interem-se sem restrição temporal, pois o leitor pode registrar comentários acerca da exposição do blog.
BLOGS E EDUCAÇÃO
Pensando enquanto educador, como esta ferramenta valiosa pode contribuir em nossa prática pedagógica diária?
Os blogs podem:
• Apresentar várias etapas de um projeto desenvolvido na escola, na sala, em grupos ou mesmo individual;
• Criação de um jornal on line;
• Divulgação de atividades ;
• Apoio à um eixo de trabalho(ou mesmo à uma disciplina)
• Preparar para encontros educacionais ente os profissionais, ou mesmo entre estudantes;
• Divulgação de produções dos alunos em diferentes áreas de conhecimento;
• Divulgar estudos realizados pelos alunos;
• Desenvolver a curiosidade tecnológica, incentivando o aluno a busca diferentes linguagens de programação ;
• Desenvolver habilidades e competências nas diferentes áreas de conhecimento, aplicando os conteúdos estabelecidos em currículo;
• Trabalhar com imagens criadas ou registradas pelos próprios alunos, ampliando suas habilidades cognitivas na área de criação.
• Elaborar tamplates que desenvolvem além de conhecimentos, técnicas e habilidades próprias, possibilitam utilizar-se da criatividade, da ética , e de muitos outros componentes da cidadania.
• Podem elaborar animações para postar no blog, como resultados de trabalhos.
• Trazer a discussão de valores e da moral, quando na postagem de comentários, observando os limites do respeito à produção do próximo;
• Ajudar a comunidade escolar com esclarecimentos e informações elaboradas pelos próprios alunos.
• Incentivar a criação de concursos entre os alunos de suas produções;
É importante lembrar que o blog não se restringe apenas à língua portuguesa ou mesmo à matemática.Ele funciona como um recurso para todos os eixos do conhecimento , já que o conhecimento na realidade busca uma apresentação menos fragmentada. Ele pode em alguns momentos conter mais informações sobre uma determinada área, mas não se fecha para qualquer outra em nenhum momento.
Além de tantas possibilidades educativas, os blogs aproximam as pessoas, as idéias, permitem reflexões, colocações troca de experiências, amplia a aula e a visão de mundo, e oferece a todos as produções realizadas.A melhor vantagem , é que é um recurso extremamente prazeroso a que o elabora e desenvolve!
Enquanto professor, não precisa utilizar a antiga caneta vermelha para sublinhar o que estava errado, mas este pode oferecer informações sobre o “erro” do aluno e os caminhos a serem percorridos para uma melhora , se necessária , em sua construção de conhecimento.Partindo do espaço “comentários” o professor interage com o aluno mais facilmente, instigando-o a pensar e resolver soluções.Este é um grande objetivo hoje, dentro de um currículo voltado para competências como nos coloca nossos Referenciais Nacionais de Educação.
Para finalizar, o professor não pode deixar de estabelecer objetivos e critérios ao utilizar este recurso, pois a utilização a esmo não enriquece as aulas, torna-se um tempo inutilizado para a construção e a troca de conhecimentos.Ele deve deixar claro o que espera do aluno e o que pretende com a proposta de trabalho.Assim a avaliação deve ser feita pelo professor e pelos alunos.
Bom trabalho!
Margarida Elisa Ehrhardt Ferreira
“Não ensine aos meninos pela força e severidade, mas leve-os por aquilo que os diverte, para que possam descobrir a inclinação de suas mentes.” (Platão. A República, VII)
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/2017/1/A-Utilizaccedilatildeo-Do-Blog-Na-Educaccedilatildeo/pagina1.html.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Ética Docente
A ética ainda é um conceito pouco explorado pela classe docente. Porém, é um tema de extrema relevância, visto que os valores éticos defendidos pelo professor podem ser determinantes para sua prática docente e, em conseqüência, para a sociedade. Nesse sentido, o assunto não deve ser esgotado, mas esclarecido, de maneira que os mestres possam ter plena consciência do seu “fazer profissional”.
Mas o que é ética?
Ética é a “ciência da moral, que estuda os comportamentos morais do homem para com uma força metafísica e a sociedade, e tem como finalidade garantir a integridade de um grupo através do regimento da conduta dos seus membros, de acordo com princípios de conveniência geral”. Segundo Isabel Baptista, doutorada em filosofia da educação pela faculdade de letras da Universidade do Porto, a ética pode ser entendida ainda, como uma reflexão de caráter filosófico sobre os princípios e valores que devem orientar o ser humano - noções como o bem, o mal ou a justiça. Ainda segundo a autora, a moral significa “uma formalização de normas de conduta que terão de estar de acordo ou subordinadas àquilo que entendemos por valores éticos, obrigando no fundo, a considerar o primado da Ética sobre a Moral”.
Analisados os conceitos de Ética e Moral, cabe-nos a seguinte reflexão: Nós, enquanto docentes, temos a clareza de por que educamos, por que atuamos e intervimos na sociedade e para que o fazemos? Esta reflexão deveria fazer parte do cotidiano do professor e dar suporte para todo o fazer pedagógico, até por que a mesma é norteadora da sociedade que desejamos construir.
Cabe salientar que a ética na sociedade é uma referência no mundo dos direitos, mas também no mundo dos deveres profissionais na medida em que através dela definimos ideais, valores, modos de estar e, essencialmente, modos de ser. Ou seja, a ética deverá ser um vetor fundamental na identidade dos profissionais. É impensável que um profissional se defina apenas como um técnico e se esqueça do por que do seu saber fazer, especialmente quando trabalha com outros, com a sociedade e para a sociedade.
Segundo Monti, Schroeder e Mecking a ética no exercício profissional, no qual o professor deve estar comprometido, para que sejam estabelecidas relações de respeito em seu ambiente de trabalho. Observamos no cotidiano escolar, situações que causam certos constrangimentos e que podem comprometer a eficiência e eficácia do processo ensino - aprendizagem. Situações tais como:
· Discutir assuntos que particularmente dizem respeito a alunos, em locais inadequados, como corredores, pátios, banheiros, cantina, ônibus, etc.
· · Rotular alunos (este é comprometido, interessado, aquele não);
· · Incoerência de atitudes do professor com aquelas cobradas dos alunos (faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço);
· · Falta de comprometimento do professor com o seu papel de educador.
Atitudes simples no dia a dia do professor são demonstrações de ética profissional e conseqüentemente, são refletidas nas atitudes dos alunos, são elas:
· · Respeito à origem, raça, credo, sexo, cor e idade de todos que o rodeiam;
· · Tratar assuntos relativos aos alunos com discrição e em locais adequados, nos quais os discentes não sejam expostos a conclusões errôneas por parte de pessoas que desconheçam a íntegra dos assuntos;
· · Manter sigilo quando se tratar de assunto que possa expor os alunos a situações constrangedoras;
· · Manter coerência nas suas atitudes com aquelas cobradas dos alunos;
· · Ao perceber qualquer problema com seus alunos na relação ensino
- aprendizagem, discutir com a equipe pedagógica de sua escola, a forma mais
adequada de solucionar, deixando a cargo de profissionais especializados o diagnóstico devido.
O professor deve estar consciente da importância de seu papel como profissional da educação, principalmente por que ele é o alicerce para o desenvolvimento pleno dos educandos e dos valores ligados à cidadania dos seus alunos. A convivência harmoniosa dos seres humanos é proveniente da conduta praticada pelos mesmos. Portanto, a ética é um dos fatores predominantes para que se materialize uma educação consciente e eficiente. Mas vale lembrar que esse compromisso ético transcende aos alunos.
Há muito que se discutir sobre ética docente. A ética não é algo acabado, é algo em permanente construção. Quando falamos em ética, falamos de algo que deve contemplar o sentido plural dos valores, da diversidade do pensamento e da ação profissional.
Tiago Amorim
Fontes:
- http://www.apagina.pt/
Antonio Caride Gomez
em entrevista à PÁGINA
Ética do Professor
Laura Bianca Monti, Margaret Maria Schroeder e Maria Letizia M. Mecking
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O Teatro na Educação Infantil
A presença do teatro na educação, especialmente na educação infantil, é especialmente importante, pois o teatro é uma forma de arte que explora vários aspectos do desenvolvimento da criança. Com ele é possível explorar o corpo, através da observação ou execução de movimentos variados, a imaginação que através desse método de trabalho é estimulada constantemente levando os pequenos a se transportarem para outros mundos possibilitando-os vivenciar outras experiências e realidades. Contudo, o teatro como uma metodologia de ensino não se esgota com essas possíveis abordagens. Com uma peça teatral o professor pode abordar assuntos relevantes para a sociedade, e também, e principalmente, para as individualidades, tais como hábitos de higiene, a importância de uma boa alimentação etc. Portanto, como enfoca Beatriz Cabral, “o drama como método de ensino, eixo curricular e/ou tema gerador constitui-se atualmente numa subárea do fazer teatral e está baseado num processo contínuo de exploração de formas e conteúdos relacionados com um determinado foco de investigação (selecionado pelo professor ou negociado entre professor e aluno).” (CABRAL,2006:12).
Em conformidade ao exposto, o teatro, além de propiciar entretenimento e cultura aos pequenos, pode funcionar também como um instrumento para a aprendizagem, uma vez que qualquer tema ou assunto pode ser explorado em uma dramatização. É necessário frisar ainda, que pela sua magia, o teatro “aprisiona” a atenção das crianças e normalmente constitui-se uma maneira contextualizada para transmitir uma mensagem.
Logo, o teatro na educação infantil configura-se como um importante “recurso” pedagógico a fim de atender as diversas necessidades do mundo infantil, propiciando a este público o desenvolvimento de aspectos motores, cognitivos e ainda é um instrumento bastante eficaz com relação à compreensão e apreensão dos conteúdos que devem ser trabalhados.
Referências: http://www.artenaescola.org.br/sala_relatos_artigos
Em conformidade ao exposto, o teatro, além de propiciar entretenimento e cultura aos pequenos, pode funcionar também como um instrumento para a aprendizagem, uma vez que qualquer tema ou assunto pode ser explorado em uma dramatização. É necessário frisar ainda, que pela sua magia, o teatro “aprisiona” a atenção das crianças e normalmente constitui-se uma maneira contextualizada para transmitir uma mensagem.
Logo, o teatro na educação infantil configura-se como um importante “recurso” pedagógico a fim de atender as diversas necessidades do mundo infantil, propiciando a este público o desenvolvimento de aspectos motores, cognitivos e ainda é um instrumento bastante eficaz com relação à compreensão e apreensão dos conteúdos que devem ser trabalhados.
Tiago Amorim
Referências: http://www.artenaescola.org.br/sala_relatos_artigos
Gêneros didáticos
Existem várias formas de lecionar. Não é a mesma coisa, por exemplo, dar aulas ao longo de um semestre, ao longo de um ano, e proferir palestras de duas horas. Uma aula particular é diferente da entrevista concedida diante de um público de 100, 200 pessoas, ou mais. Ministrar uma oficina requer atitudes específicas, que se mostrarão inadequadas em outras circunstâncias; uma aula a distância possui suas próprias características.
Tais gêneros didáticos vão entrar (ou não) em sintonia com o estilo de cada professor. Um professor expansivo terá mais facilidade na palestra multitudinária, e terá de ser mais intimista quando for contratado para dar aulas particulares. Aquele que, mais introspectivo, se sente como peixe fora dágua num estúdio de TV (e precisa aprender a respirar fora dágua), poderá nadar de braçadas na criação de um livro didático.
Palestra de duas horas, para número superior a 400 pessoas, com direito a telão e PowerPoint, progride bem e conclui-se bem se o palestrante mantém o ritmo, passeia dentro do tema, combinando conceitos e exemplos, informações e metáforas, pequenas histórias e rápidas indicações de leitura, chistes e recomendações, ironias e broncas, perguntas retóricas e apresentação de músicas. Palestrante é um professor no palco.
Já uma aula particular permite o diálogo, a busca ombro a ombro de enfoques novos, quase em clima de confidência. Neste caso, há também subgêneros, dependendo da faixa etária do aluno. O aluno adolescente terá melhor desempenho se a aula trouxer variedade temática. O aluno mais velho provavelmente espera (e cobra) focalização concentrada no assunto previsto, informação madura, objetividade máxima.
O professor no ambiente da internet, em chats, por e-mails, usando a webcam e outros recursos, terá de sintonizar-se com a linguagem da Idade Mídia, teclar com rapidez, plugar-se a qualquer hora do dia ou da noite.
Mesa-redonda também ensina. Mas tem de haver divergências, bate-papo animado e bate-boca. O público necessita ver um certo atrito entre os participantes, ou então o debate se transforma em reunião de comadres, muitas sedas rasgadas, perda de tempo. É redonda essa mesa porque rolam opiniões provocadoras.
Oficina, etimologicamente, é opus facere, ou seja, ocasião para fazer uma obra, fazer algo em grupo. O professor trabalha menos para que o trabalho seja melhor. Aprende-se à medida que todos se empenham.
Aulas convencionais não podem ser convencionais. Queixam-se muitos professores da falta de disciplina de suas turmas, da falta de respeito, da baixa motivação, da ínfima participação. Acreditam que o desinteresse dos alunos nada tenha a ver com aulas desinteressantes, entediantes. Não acredito em aulas sem condimento artístico. O argumento de autoridade perdeu autoridade. A velha aula era nova em outras eras. Novos tempos, novas aulas.
Aperfeiçoamento docente implica exercitar-se didaticamente. Que nós, professores, descubramos as possibilidades e limitações que cada um desses gêneros oferece.
Texto de Gabriel Perissé (www.perisse.com.br) publicado originalmente na revista Profissão Mestre de novembro de 2008.
Tais gêneros didáticos vão entrar (ou não) em sintonia com o estilo de cada professor. Um professor expansivo terá mais facilidade na palestra multitudinária, e terá de ser mais intimista quando for contratado para dar aulas particulares. Aquele que, mais introspectivo, se sente como peixe fora dágua num estúdio de TV (e precisa aprender a respirar fora dágua), poderá nadar de braçadas na criação de um livro didático.
Palestra de duas horas, para número superior a 400 pessoas, com direito a telão e PowerPoint, progride bem e conclui-se bem se o palestrante mantém o ritmo, passeia dentro do tema, combinando conceitos e exemplos, informações e metáforas, pequenas histórias e rápidas indicações de leitura, chistes e recomendações, ironias e broncas, perguntas retóricas e apresentação de músicas. Palestrante é um professor no palco.
Já uma aula particular permite o diálogo, a busca ombro a ombro de enfoques novos, quase em clima de confidência. Neste caso, há também subgêneros, dependendo da faixa etária do aluno. O aluno adolescente terá melhor desempenho se a aula trouxer variedade temática. O aluno mais velho provavelmente espera (e cobra) focalização concentrada no assunto previsto, informação madura, objetividade máxima.
O professor no ambiente da internet, em chats, por e-mails, usando a webcam e outros recursos, terá de sintonizar-se com a linguagem da Idade Mídia, teclar com rapidez, plugar-se a qualquer hora do dia ou da noite.
Mesa-redonda também ensina. Mas tem de haver divergências, bate-papo animado e bate-boca. O público necessita ver um certo atrito entre os participantes, ou então o debate se transforma em reunião de comadres, muitas sedas rasgadas, perda de tempo. É redonda essa mesa porque rolam opiniões provocadoras.
Oficina, etimologicamente, é opus facere, ou seja, ocasião para fazer uma obra, fazer algo em grupo. O professor trabalha menos para que o trabalho seja melhor. Aprende-se à medida que todos se empenham.
Aulas convencionais não podem ser convencionais. Queixam-se muitos professores da falta de disciplina de suas turmas, da falta de respeito, da baixa motivação, da ínfima participação. Acreditam que o desinteresse dos alunos nada tenha a ver com aulas desinteressantes, entediantes. Não acredito em aulas sem condimento artístico. O argumento de autoridade perdeu autoridade. A velha aula era nova em outras eras. Novos tempos, novas aulas.
Aperfeiçoamento docente implica exercitar-se didaticamente. Que nós, professores, descubramos as possibilidades e limitações que cada um desses gêneros oferece.
Texto de Gabriel Perissé (www.perisse.com.br) publicado originalmente na revista Profissão Mestre de novembro de 2008.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A escola e a prática cidadã
[...] Em consonância ao que atestam as legislações e documentos oficiais da educação brasileira, Perrenoud (2005, p. 30) propõe algumas considerações mais específicas quanto ao papel da escola na formação para a cidadania que podem e devem ser estudadas e discutidas pelos gestores, professores e alunos a fim de construir coletivamente uma escola cidadã. O autor expressa que “para educar verdadeiramente para a cidadania, é necessário, de fato, alterar substancialmente uma parte dos funcionamentos escolares instituídos” (Perrenoud, 2005, p. 30). Dentre esses funcionamentos o pesquisador aborda três, abrangendo a apropriação ativa dos saberes e da razão crítica; a apropriação de um mínimo de ferramentas provenientes das ciências sociais; e por último, a prática da democracia e da responsabilidade.
É sabido que a falta de informação e principalmente de compreensão acerca de assuntos relevantes tornam o indivíduo mais vulnerável às ações “nocivas” do meio social, sejam elas políticas, econômicas, enfim, de qualquer natureza, e, portanto, deixam-no mais passível de dominação. Isso acontece, conforme enfoca Perrenoud (2005, p. 30), porque:
Seu capital cultural não é suficientemente significativo e pertinente para lhes proporcionar os meios de se defender, nem mesmo para compreender os mecanismos que os fazem sofrer ou que precipitam sua exclusão. A miséria do mundo é quase sempre acompanhada de uma privação intelectual, que é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência, em um círculo infernal.
[...] Assim, nas palavras de Perrenoud (2005, p. 31), a educação para a cidadania sugere a “construção de meios intelectuais, de saberes e de competências que são fontes de autonomia, de capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo”. O autor aborda ainda que o fracasso escolar constitui-se não em mais um problema, mas como o cerne do problema da educação para a cidadania, uma vez que a assimilação de saberes e da escrita e a apropriação de competências de alto nível são condições imprescindíveis para a construção da cidadania pelo indivíduo
[...] Um outro fundamento escolar instituído que precisa ser alterado, conforme o já referido autor, relaciona-se à apropriação de um mínimo de ferramentas provenientes das ciências sociais que propiciam ao indivíduo maior “capacidade de abstração, de comunicação, de busca de informação e de assimilação de novos conceitos e novos saberes” (Perrenoud, 2005, p. 31), o que proporciona ao indivíduo meios de compreender assuntos de naturezas diversas, que influenciam sua maneira de viver, tais como política, economia, dentre outros.
[...] Outro aspecto a ser alterado, conforme Perrenoud (2005, p.30), refere-se à prática da democracia e da responsabilidade. Segundo o autor, é necessário que os educandos vivenciem a prática democrática através da participação ativa nas escolas, seja em nível macro, negociando possíveis decisões com os gestores, de modo a atender às suas necessidades e anseios, seja em nível mais restrito, que abrange as práticas pedagógicas em sala de aula e, principalmente, assuntos referentes ao “conjunto da organização da vida na sala de aula” (Perrenoud, 2005, p. 38), que engloba horários, espaços, regras e sanções, modos de cooperação e de regulação da coexistência. No que se refere à participação nas decisões maiores, que envolvem a escola como um todo, sugere-se a participação efetiva dos estudantes através de agremiações estudantis, que são instituídas e conferem aos alunos organização política e participação ativa nas tomadas de decisões visando atender os seus anseios e necessidades e/ou ainda a participação, de fato, em conselhos escolares, que “exigem” um representante do alunado, não para simplesmente concordar com o que foi decidido pelo gestor, e, assim, assinar a documentação necessária, mas sim para participar do conselho discutindo e debatendo a destinação das verbas e fiscalizando as ações da direção da escola. Esse é um dos principais objetivos do conselho escolar: a participação política eficaz envolvendo membros da direção escolar, do professorado, dos discentes e da comunidade escolar. Logo, esse tipo de organização, se bem representada e orientada, constitui-se em um forte elemento favorável à prática democrática e ao exercício da cidadania nos limites do espaço escolar.
No entanto, o autor alerta que a prática da cidadania não se restringe a alguns momentos de regulação como os conselhos, por exemplo; ela deve ser cotidiana e para tanto necessita ser vivenciada cotidianamente em sala de aula, e não somente limitada à organização da rotina e das regras, mas sobretudo na relação com o saber. É inegável que os conhecimentos que abrangem os currículos são resultados de pesquisas científicas e foram reafirmados ao longo de diversos debates entre especialistas, contudo, isso não deve impedir o questionamento e a dúvida por parte dos educandos. O docente deve incentivar uma atitude investigativa e duvidosa com relação ao conhecimento ministrado a fim de gerar questionamentos, verificação de dados e ouvir teses contrárias, para, então, tomar posição, pois como revela o autor, o exercício da cidadania se fundamenta em “uma postura ética e de competências práticas passíveis de serem transpostas ao conjunto da vida social” (Perrenoud, 2005, p. 34). Portanto, tal postura deve ser considerada todos os dias em todos os momentos da aprendizagem formal ou informal. É necessário frisar, no entanto, que “a democracia supõe o debate e, portanto, tempo para pensar, para se expressar, para ouvir e compreender pontos de vista contrários e para buscar compromissos” (idem), porém a escola e os professores julgam essas experiências como não participantes do programa e não conferem aos educandos esses momentos de reflexão e debate com a justificativa de não cumprirem o programa no fim do bimestre. Os programas, por sua vez, embora reformulados pelos documentos oficiais, ainda são sobrecarregados, privilegiando, na prática, a transmissão de saberes em detrimento de uma construção comum em um procedimento de projeto e debate. Ora, como formar para a cidadania tolhendo o que de mais importante há para a sua aprendizagem? Perrenoud (2005, p. 39) lembra que:
O papel da escola, que constitui um mundo social como os outros, é igualmente o de estabelecer dispositivos e de formar habitus favoráveis ao exercício da razão, ao desenvolvimento de uma relação racional com o saber, que exclui ao mesmo tempo o respeito incondicional e instantâneo aos que sabem e a negação de uma legitimidade particular reconhecida aos que têm como ofício produzir e/ou transmitir saberes.
Assim, reafirma-se a importância do debate, do questionamento e da inquietação, características singulares que qualificam o aluno-indivíduo como aluno-cidadão.
Este texto é um trecho do Trabalho de Conclusão de Curso: A cidadania sob a ótica do Ensino Médio, de minha autoria, apresentado à Universidade Veiga de Almeida no fim do 1º semestre de 2008, como requisito à graduação em Pedagogia.
É sabido que a falta de informação e principalmente de compreensão acerca de assuntos relevantes tornam o indivíduo mais vulnerável às ações “nocivas” do meio social, sejam elas políticas, econômicas, enfim, de qualquer natureza, e, portanto, deixam-no mais passível de dominação. Isso acontece, conforme enfoca Perrenoud (2005, p. 30), porque:
Seu capital cultural não é suficientemente significativo e pertinente para lhes proporcionar os meios de se defender, nem mesmo para compreender os mecanismos que os fazem sofrer ou que precipitam sua exclusão. A miséria do mundo é quase sempre acompanhada de uma privação intelectual, que é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência, em um círculo infernal.
[...] Assim, nas palavras de Perrenoud (2005, p. 31), a educação para a cidadania sugere a “construção de meios intelectuais, de saberes e de competências que são fontes de autonomia, de capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo”. O autor aborda ainda que o fracasso escolar constitui-se não em mais um problema, mas como o cerne do problema da educação para a cidadania, uma vez que a assimilação de saberes e da escrita e a apropriação de competências de alto nível são condições imprescindíveis para a construção da cidadania pelo indivíduo
[...] Um outro fundamento escolar instituído que precisa ser alterado, conforme o já referido autor, relaciona-se à apropriação de um mínimo de ferramentas provenientes das ciências sociais que propiciam ao indivíduo maior “capacidade de abstração, de comunicação, de busca de informação e de assimilação de novos conceitos e novos saberes” (Perrenoud, 2005, p. 31), o que proporciona ao indivíduo meios de compreender assuntos de naturezas diversas, que influenciam sua maneira de viver, tais como política, economia, dentre outros.
[...] Outro aspecto a ser alterado, conforme Perrenoud (2005, p.30), refere-se à prática da democracia e da responsabilidade. Segundo o autor, é necessário que os educandos vivenciem a prática democrática através da participação ativa nas escolas, seja em nível macro, negociando possíveis decisões com os gestores, de modo a atender às suas necessidades e anseios, seja em nível mais restrito, que abrange as práticas pedagógicas em sala de aula e, principalmente, assuntos referentes ao “conjunto da organização da vida na sala de aula” (Perrenoud, 2005, p. 38), que engloba horários, espaços, regras e sanções, modos de cooperação e de regulação da coexistência. No que se refere à participação nas decisões maiores, que envolvem a escola como um todo, sugere-se a participação efetiva dos estudantes através de agremiações estudantis, que são instituídas e conferem aos alunos organização política e participação ativa nas tomadas de decisões visando atender os seus anseios e necessidades e/ou ainda a participação, de fato, em conselhos escolares, que “exigem” um representante do alunado, não para simplesmente concordar com o que foi decidido pelo gestor, e, assim, assinar a documentação necessária, mas sim para participar do conselho discutindo e debatendo a destinação das verbas e fiscalizando as ações da direção da escola. Esse é um dos principais objetivos do conselho escolar: a participação política eficaz envolvendo membros da direção escolar, do professorado, dos discentes e da comunidade escolar. Logo, esse tipo de organização, se bem representada e orientada, constitui-se em um forte elemento favorável à prática democrática e ao exercício da cidadania nos limites do espaço escolar.
No entanto, o autor alerta que a prática da cidadania não se restringe a alguns momentos de regulação como os conselhos, por exemplo; ela deve ser cotidiana e para tanto necessita ser vivenciada cotidianamente em sala de aula, e não somente limitada à organização da rotina e das regras, mas sobretudo na relação com o saber. É inegável que os conhecimentos que abrangem os currículos são resultados de pesquisas científicas e foram reafirmados ao longo de diversos debates entre especialistas, contudo, isso não deve impedir o questionamento e a dúvida por parte dos educandos. O docente deve incentivar uma atitude investigativa e duvidosa com relação ao conhecimento ministrado a fim de gerar questionamentos, verificação de dados e ouvir teses contrárias, para, então, tomar posição, pois como revela o autor, o exercício da cidadania se fundamenta em “uma postura ética e de competências práticas passíveis de serem transpostas ao conjunto da vida social” (Perrenoud, 2005, p. 34). Portanto, tal postura deve ser considerada todos os dias em todos os momentos da aprendizagem formal ou informal. É necessário frisar, no entanto, que “a democracia supõe o debate e, portanto, tempo para pensar, para se expressar, para ouvir e compreender pontos de vista contrários e para buscar compromissos” (idem), porém a escola e os professores julgam essas experiências como não participantes do programa e não conferem aos educandos esses momentos de reflexão e debate com a justificativa de não cumprirem o programa no fim do bimestre. Os programas, por sua vez, embora reformulados pelos documentos oficiais, ainda são sobrecarregados, privilegiando, na prática, a transmissão de saberes em detrimento de uma construção comum em um procedimento de projeto e debate. Ora, como formar para a cidadania tolhendo o que de mais importante há para a sua aprendizagem? Perrenoud (2005, p. 39) lembra que:
O papel da escola, que constitui um mundo social como os outros, é igualmente o de estabelecer dispositivos e de formar habitus favoráveis ao exercício da razão, ao desenvolvimento de uma relação racional com o saber, que exclui ao mesmo tempo o respeito incondicional e instantâneo aos que sabem e a negação de uma legitimidade particular reconhecida aos que têm como ofício produzir e/ou transmitir saberes.
Assim, reafirma-se a importância do debate, do questionamento e da inquietação, características singulares que qualificam o aluno-indivíduo como aluno-cidadão.
Este texto é um trecho do Trabalho de Conclusão de Curso: A cidadania sob a ótica do Ensino Médio, de minha autoria, apresentado à Universidade Veiga de Almeida no fim do 1º semestre de 2008, como requisito à graduação em Pedagogia.
O Projeto Político Pedagógico como instrumento favorável à cidadania
O Projeto Político Pedagógico (PPP), assim como as contribuições de Perrenoud, merece especial atenção na elaboração de uma proposta que vise à construção da cidadania pela escola, pois ele se configura como a própria identidade da escola, emanando princípios, diretrizes e propostas de ação. Orienta-se que tal documento deva ser construído de forma participativa envolvendo os diversos setores da comunidade escolar, sendo constituído a partir de um planejamento dialógico.
Nas palavras de Padilha (2003, p.13):
O Projeto Político Pedagógico da escola pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e de antecipação do futuro que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para melhor organizar, sistematizar e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo. Sua dimensão político-pedagógica pressupõe uma construção participativa que envolve ativamente os diversos segmentos escolares. Ao desenvolvê-lo, as pessoas ressignificam suas experiências, refletem sobre suas práticas, resgatam, reafirmam e atualizam valores, explicitam seus sonhos e utopias, demonstram seus saberes, dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmam suas identidades, estabelecem novas relações de convivência e indicam um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação.
Para que todas essas possibilidades geradas pelo PPP sejam efetivamente concretizadas, ele deve apresentar algumas etapas, que, se elaboradas com os alunos, reforçam o conhecimento acerca da realidade em que estão inseridos conferindo-lhes mais autonomia e entendimento sobre as reais condições de vida das pessoas e do lugar em que vivem. A caracterização sócio-econômica da comunidade escolar – possível item do PPP – pode ser realizada através de pesquisas documentais e de campo, entrevistas a moradores e observação das diversas atividades que são características do local onde moram. Dessa maneira, os educandos serão incentivados à curiosidade, à investigação, elementos imprescindíveis na relação com o saber e, uma vez orientados pelos professores, utilizarão métodos de pesquisas, proporcionando-lhes não só a curiosidade, mas também formas e metodologias adequadas para saná-las. Além disso, o conhecimento da história do município ou da comunidade, dos eventos culturais característicos da região, das principais atividades econômicas e do poder aquisitivo da população, do nível educacional e social dos moradores, permitem a construção da identidade do educando, fortalecendo a concepção de pertencimento ao local e propiciando reflexões e possíveis ações para melhorar sua comunidade, exercendo dessa forma sua condição de cidadania, pois, de acordo com Perrenoud (2005, p. 30), essa só será exercida mediante a aquisição de conhecimentos, saberes e competências que são essenciais para sua prática adequada.
Outro ponto que merece ser discutido no PPP, refere-se à descrição da realidade escolar, que proporciona aos alunos o conhecimento acerca da instituição em que estudam: sua história, suas condições ambientais, o espaço físico interno e externo, áreas verdes e de lazer, bibliotecas, laboratórios de informática, quadra poliesportiva, auditório, enfim, o conhecimento e a descrição sobre as condições físicas da escola por parte dos estudantes permitem a identificação de problemas e possíveis melhoramentos e ampliações nas instalações escolares, o que resultará no zelo pelo bem público, que é deles e para eles. Assim, ao realizar essa tarefa, os estudantes poderão, mediante os grêmios estudantis, conselhos escolares, ou ainda organização de grupos independentes, reivindicar junto à direção melhorias para a unidade escolar, construindo dessa forma um aprendizado do que é ser cidadão, que, conforme expressa Costa (s/d), constitui-se em “assumir a dimensão política do ser humano e participar da sociedade ativamente”. Assim, o PPP contribui de forma significativa e converte-se em efeito prático da educação para a cidadania.
Entretanto, as ações educacionais para a formação cidadã a partir do PPP não se esgotam com as propostas citadas anteriormente. Ao contrário, elas se concretizam de forma mais consistente nas propostas pedagógicas que se relacionam diretamente com o que aprender e como aprender, fatores cruciais para a formação cidadã, segundo a orientação de Perrenoud (2005). A elaboração das propostas e ações pedagógicas conjuntamente com os educandos confere um aprendizado mais próximo da realidade em que estão inseridos e suprem mais eficazmente seus anseios e necessidades. A participação dos pupilos “no criar” e no “fazer pedagógico” garante uma relação íntima com o objeto de estudo, tornando-o mais significativo para os aprendizes. A exposição e construção dos objetivos de ensino para os educandos permitem a avaliação dos professores por parte destes e também a sua auto-avaliação, propiciando um grau de análise e criticidade com relação aos professores e, sobretudo, mais autonomia ao realizar a auto-avaliação, elemento também citado por Perrenoud (2005) para a formação da cidadania.
Sendo assim, o Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar é de extrema relevância para o contexto de uma educação voltada para a cidadania e deve ser elaborado e, sobretudo, vivenciado pelos alunos como forma de intervenção política e pedagógica, tornando-se, dessa maneira, mais do que um instrumento de cidadania, uma estratégia pedagógica adotada pela escola para a formação cidadã.
Este texto é um trecho do Trabalho de Conclusão de Curso: A cidadania sob a ótica do Ensino Médio, de minha autoria, apresentado à Universidade Veiga de Almeida no fim do 1º semestre de 2008, como requisito à graduação em Pedagogia.
Nas palavras de Padilha (2003, p.13):
O Projeto Político Pedagógico da escola pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e de antecipação do futuro que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para melhor organizar, sistematizar e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo. Sua dimensão político-pedagógica pressupõe uma construção participativa que envolve ativamente os diversos segmentos escolares. Ao desenvolvê-lo, as pessoas ressignificam suas experiências, refletem sobre suas práticas, resgatam, reafirmam e atualizam valores, explicitam seus sonhos e utopias, demonstram seus saberes, dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmam suas identidades, estabelecem novas relações de convivência e indicam um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação.
Para que todas essas possibilidades geradas pelo PPP sejam efetivamente concretizadas, ele deve apresentar algumas etapas, que, se elaboradas com os alunos, reforçam o conhecimento acerca da realidade em que estão inseridos conferindo-lhes mais autonomia e entendimento sobre as reais condições de vida das pessoas e do lugar em que vivem. A caracterização sócio-econômica da comunidade escolar – possível item do PPP – pode ser realizada através de pesquisas documentais e de campo, entrevistas a moradores e observação das diversas atividades que são características do local onde moram. Dessa maneira, os educandos serão incentivados à curiosidade, à investigação, elementos imprescindíveis na relação com o saber e, uma vez orientados pelos professores, utilizarão métodos de pesquisas, proporcionando-lhes não só a curiosidade, mas também formas e metodologias adequadas para saná-las. Além disso, o conhecimento da história do município ou da comunidade, dos eventos culturais característicos da região, das principais atividades econômicas e do poder aquisitivo da população, do nível educacional e social dos moradores, permitem a construção da identidade do educando, fortalecendo a concepção de pertencimento ao local e propiciando reflexões e possíveis ações para melhorar sua comunidade, exercendo dessa forma sua condição de cidadania, pois, de acordo com Perrenoud (2005, p. 30), essa só será exercida mediante a aquisição de conhecimentos, saberes e competências que são essenciais para sua prática adequada.
Outro ponto que merece ser discutido no PPP, refere-se à descrição da realidade escolar, que proporciona aos alunos o conhecimento acerca da instituição em que estudam: sua história, suas condições ambientais, o espaço físico interno e externo, áreas verdes e de lazer, bibliotecas, laboratórios de informática, quadra poliesportiva, auditório, enfim, o conhecimento e a descrição sobre as condições físicas da escola por parte dos estudantes permitem a identificação de problemas e possíveis melhoramentos e ampliações nas instalações escolares, o que resultará no zelo pelo bem público, que é deles e para eles. Assim, ao realizar essa tarefa, os estudantes poderão, mediante os grêmios estudantis, conselhos escolares, ou ainda organização de grupos independentes, reivindicar junto à direção melhorias para a unidade escolar, construindo dessa forma um aprendizado do que é ser cidadão, que, conforme expressa Costa (s/d), constitui-se em “assumir a dimensão política do ser humano e participar da sociedade ativamente”. Assim, o PPP contribui de forma significativa e converte-se em efeito prático da educação para a cidadania.
Entretanto, as ações educacionais para a formação cidadã a partir do PPP não se esgotam com as propostas citadas anteriormente. Ao contrário, elas se concretizam de forma mais consistente nas propostas pedagógicas que se relacionam diretamente com o que aprender e como aprender, fatores cruciais para a formação cidadã, segundo a orientação de Perrenoud (2005). A elaboração das propostas e ações pedagógicas conjuntamente com os educandos confere um aprendizado mais próximo da realidade em que estão inseridos e suprem mais eficazmente seus anseios e necessidades. A participação dos pupilos “no criar” e no “fazer pedagógico” garante uma relação íntima com o objeto de estudo, tornando-o mais significativo para os aprendizes. A exposição e construção dos objetivos de ensino para os educandos permitem a avaliação dos professores por parte destes e também a sua auto-avaliação, propiciando um grau de análise e criticidade com relação aos professores e, sobretudo, mais autonomia ao realizar a auto-avaliação, elemento também citado por Perrenoud (2005) para a formação da cidadania.
Sendo assim, o Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar é de extrema relevância para o contexto de uma educação voltada para a cidadania e deve ser elaborado e, sobretudo, vivenciado pelos alunos como forma de intervenção política e pedagógica, tornando-se, dessa maneira, mais do que um instrumento de cidadania, uma estratégia pedagógica adotada pela escola para a formação cidadã.
Este texto é um trecho do Trabalho de Conclusão de Curso: A cidadania sob a ótica do Ensino Médio, de minha autoria, apresentado à Universidade Veiga de Almeida no fim do 1º semestre de 2008, como requisito à graduação em Pedagogia.
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